Fúria de Anfield: O Império Desmorona
O Kop já viu dias melhores. Muito melhores. O empate de sábado por 1-1 contra o Tottenham pareceu menos um ponto conquistado com dificuldade e mais uma concessão de derrota, mais um prego num caixão de uma temporada que passou de decepcionante a desastrosa. Quando o apito final soou, um coro de vaias ecoou das bancadas, um som raramente ouvido em Anfield, e que diz muito sobre o estado atual do Liverpool Football Club. Não se trata apenas de perder pontos; trata-se de uma equipa que parece desprovida de ideias, energia e, francamente, crença.
Lembra-se de 24 de outubro de 2020? Foi quando o Liverpool goleou o Sheffield United por 2-1, estando no topo da tabela da Premier League, parecendo em tudo os campeões em título. Estavam invictos em 68 jogos em casa na liga, uma fortaleza construída ao longo de anos. Avancemos para 6 de fevereiro de 2021: o Brighton foi a Anfield e arrancou uma vitória por 1-0, marcando a primeira vez desde 1984 que o Liverpool perdia jogos consecutivos em casa na liga. O Burnley, por amor de Deus, pôs fim à sua série de 68 jogos invictos em casa com uma vitória por 1-0 apenas semanas antes. A fortaleza não foi apenas violada; foi saqueada.
A questão é a seguinte: as lesões são um fator, claro. Perder Virgil van Dijk, Joe Gomez e Joel Matip por longos períodos paralisaria qualquer defesa. Fabinho, um pilar do meio-campo, passou mais tempo como central do que na sua posição natural. Mas as boas equipas adaptam-se. As grandes equipas superam. O Liverpool, neste momento, não parece nem uma coisa nem outra. Marcaram apenas um golo nos seus últimos cinco jogos em casa na Premier League. *Um*. É uma estatística impressionante para uma equipa que ostentava um trio de ataque composto por Mohamed Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino, jogadores que, em conjunto, marcaram 57 golos em todas as competições na temporada passada.
A verve ofensiva desapareceu. Salah, apesar dos seus 17 golos na liga, muitas vezes parece isolado. Mané parece ter perdido um pouco de velocidade e aquele instinto matador à frente da baliza. Firmino, apesar de todo o seu jogo de ligação inteligente, conseguiu apenas seis golos na liga nesta campanha. A magia simplesmente não está lá, e quando o trio de ataque falha, não há plano B. Divock Origi, outrora um herói da Liga dos Campeões, é hoje em dia uma mera nota de rodapé. Xherdan Shaqiri tem uma ou outra titularidade, mas raramente influencia o jogo durante 90 minutos.
A questão maior, e é aqui que entram as vaias, é a percebida falta de luta. Contra o Spurs, depois de estarem a perder por 1-0, a resposta pareceu tépida. Thiago Alcântara, trazido pela sua criatividade, muitas vezes parece ponderado. As falhas defensivas de Trent Alexander-Arnold estão a tornar-se mais frequentes. Jurgen Klopp, um treinador que personifica a paixão, parece cada vez mais frustrado na linha lateral. Esta não é a máquina de pressão alta, de gegenpressing que esperávamos. Esta é uma equipa a jogar com o travão de mão puxado, aparentemente à espera que algo aconteça em vez de fazer acontecer.
A sério: a corrida pelo top quatro está a escapar. Chelsea, West Ham e Leicester City parecem todos mais consistentes. O Liverpool está atualmente em sexto lugar, 13 pontos atrás do líder Manchester City, que também tem um jogo a menos. A Liga dos Campeões, a última esperança de troféu, parece um sonho distante quando não se consegue vencer o Fulham em casa. A menos que algo mude drasticamente, e rápido, esta temporada será lembrada como uma das defesas de título mais dececionantes da história da Premier League. A minha previsão? Nem sequer terminarão no top seis. A podridão instalou-se demasiado fundo.
