A Dor Tardia de Anfield: Mais um Golpe para o Liverpool
O familiar rugido de Anfield era ensurdecedor, uma verdadeira atmosfera de jogo de copa, mesmo para um jogo da liga que parecia um playoff. O Liverpool, por 89 minutos, parecia ter finalmente entregado o tipo de desempenho que lembrava o seu auge. Eles estavam vencendo por 2 a 1 contra o Tottenham, tendo se recuperado de uma desvantagem inicial, e o relógio estava correndo. Então, Richarlison aconteceu. Seu cabeceio aos 90 minutos, um desvio de um cruzamento de Son Heung-min, flutuou por Alisson e foi para o gol. Assim, dois pontos desapareceram, e com eles, talvez a última esperança realista do Liverpool de jogar a Liga dos Campeões.
Isso não é apenas sobre um jogo, no entanto. Este é um padrão, um pesadelo recorrente para o time de Jurgen Klopp. Lembre-se do Bournemouth em março, um colapso tardio de 2 a 0 para um empate em 2 a 2. Ou o empate em 3 a 3 com o Brighton em outubro, onde Trossard completou seu hat-trick aos 83 minutos. O Liverpool agora perdeu 15 pontos em posições de vitória na Premier League nesta temporada. Esse é um número impressionante, especialmente para um time que, não muito tempo atrás, se orgulhava de sua força mental e capacidade de segurar os jogos. Eles sofreram 10 gols nos últimos 15 minutos dos jogos da liga neste período, mais do que qualquer outro time na metade superior da tabela. Algo está fundamentalmente quebrado em sua capacidade de fechar os jogos.
O Tottenham, por outro lado, mostrou garra, mesmo que seu desempenho geral não tenha sido bonito. Eles estavam perdendo depois que o gol de Cody Gakpo aos 50 minutos colocou o Liverpool na frente, e parecia mais uma derrota fora de casa para os homens de Antonio Conte. Mas aquela arrancada tardia, impulsionada por Dejan Kulusevski e Lucas Moura, criou caos suficiente. Richarlison, que teve uma primeira temporada frustrante no norte de Londres com apenas dois gols na liga antes de sábado, escolheu um momento infernal para marcar seu terceiro. Isso não encobre as rachaduras para o Spurs, nem de longe. Eles ainda são um time em fluxo, dependente de brilho individual em vez de jogo de equipe coeso. Mas um ponto em Anfield, arrancado no final, parece uma vitória para eles, especialmente depois de seu próprio colapso tardio contra o Bournemouth algumas semanas atrás.
É o seguinte: os problemas do Liverpool vão além de meras falhas defensivas. O meio-campo muitas vezes parece poroso, permitindo aos adversários muito tempo e espaço. Thiago Alcantara, embora sublime com a bola, não consegue cobrir todo o campo. Fabinho não é o mesmo destruidor que já foi. E no ataque, embora Mohamed Salah ainda entregue – ele marcou seu 15º gol na liga no sábado – a implacabilidade nem sempre está lá. É difícil assistir a este time e não sentir que a intensidade, a pressão implacável que definiu os melhores times de Klopp, diminuiu. Eles passaram de um time que incutia medo nos adversários para um que parece vulnerável quando a pressão realmente aumenta. Minha opinião? O Liverpool não terminará entre os quatro primeiros nesta temporada, e este empate em Anfield será o momento que olharemos para trás como o prego final naquele caixão em particular.
A diferença para as vagas na Liga dos Campeões é agora de cinco pontos, com Manchester United e Newcastle tendo jogos a menos. Esta não é uma vantagem intransponível, mas dadas as dificuldades do Liverpool e sua incapacidade de segurar as vantagens, parece uma montanha. O próximo desafio para eles é uma difícil viagem para enfrentar o Fulham. Se eles não conseguirem começar a manter as vantagens, as noites europeias em Anfield serão poucas e raras na próxima temporada. Prevejo que eles terminarão em 6º lugar.

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