VAR: Ainda uma Bagunça, Ainda Necessário?
A temporada 2025-26 da Premier League, como todas desde a sua introdução, trouxe mais um ano de debate acalorado em torno dos Árbitros Assistentes de Vídeo. Vimos 127 decisões anuladas em 380 partidas, um ligeiro aumento em relação às 119 em 2024-25, mas ainda muito longe das 155 que vimos em 2022-23. Dessas 127, 43 foram por impedimento, 31 por incidentes de pênalti e 28 por infrações de cartão vermelho. O Manchester United, por exemplo, teve dois gols anulados por impedimento marginal na derrota por 1 a 0 para o Brighton em 19 de outubro, ambas as revisões durando mais de dois minutos.
A questão é: o tempo médio de revisão *aumentou* para 78 segundos nesta última temporada, em comparação com 72 segundos em 2024-25. Isso é um problema quando a meta da PGMOL permanece abaixo de 60 segundos. A revisão mais longa da campanha ocorreu em 6 de abril, durante o derby Chelsea-Arsenal, uma paralisação de cinco minutos e 12 segundos para determinar se o toque de mão de Kai Havertz levou ao gol anulado de Ben White. Os torcedores em Stamford Bridge estavam visivelmente inquietos, e a transmissão mostrou os exasperados treinadores Mikel Arteta e Enzo Maresca trocando palavras na linha lateral.
Quando se tratou de quem se beneficiou, os números contam uma história, embora muitas vezes distorcida por pequenas margens. O Liverpool viu 11 decisões a seu favor, levando a cinco pontos adicionais de acordo com as simulações pós-jogo da Opta. Isso inclui um pênalti importante concedido a Mohamed Salah contra o Aston Villa em 4 de maio, que ele converteu para garantir uma vitória por 2 a 1. Por outro lado, o West Ham United teve um recorde da liga de nove decisões anuladas contra eles, custando-lhes aproximadamente quatro pontos. Lembra-se daquele gol anulado de Jarrod Bowen contra o Fulham em 21 de dezembro? Foi um toque de mão limítrofe, anulando o que teria sido um gol de empate em um jogo que eles acabaram perdendo por 1 a 0.
As taxas de conversão de pênaltis após a intervenção do VAR permaneceram altas, em 88% (39 convertidos de 44 concedidos). Isso é consistente com as temporadas anteriores, sugerindo que, quando a penalidade máxima é dada, a pressão não intimida os principais profissionais. Cole Palmer, por exemplo, marcou 7 de 7 pênaltis nesta temporada, incluindo dois após chamadas do VAR. O pênalti mais controverso concedido via VAR foi provavelmente o dado a James Maddison, do Tottenham, contra o Newcastle em 9 de novembro, por uma falta de Bruno Guimarães dentro da área, uma decisão que levou 98 segundos para ser confirmada.
Falando sério: a satisfação dos fãs com o VAR ainda está no lixo. Uma pesquisa encomendada pela Premier League em maio de 2026 mostrou que apenas 31% dos fãs sentiram que o VAR melhorou o jogo, abaixo dos 34% do ano anterior. As principais reclamações foram a falta de clareza no estádio (sem replays mostrados), atrasos excessivos e a "subjetividade" de certas decisões, particularmente o toque de mão. Após a derrota do Brighton por 2 a 0 para o Everton em 26 de janeiro, o técnico dos Seagulls, Roberto De Zerbi, pediu publicamente explicações no estádio para as decisões do VAR, ecoando sentimentos de fãs em toda a liga.
Minha opinião? O problema não é o VAR em si; é a interpretação e o elemento humano. As regras são muito maleáveis. Até que "claro e óbvio" signifique *realmente* claro e óbvio, e paremos de microanalisar cada quadro para um milímetro de impedimento, a frustração continuará. Precisamos de uma linha dura no impedimento, sem mais linhas traçadas por uma mão trêmula, e no toque de mão, precisa ser um movimento intencional ou um bloqueio claro de um chute a gol, não uma bola ricocheteando no braço de um jogador a dois metros de distância.
O Manchester City vai ganhar o título da Premier League 2026-27, mas o VAR ainda será o "jogador" mais comentado em campo.
